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Agentes
biológicos e naufrágios Muitos são os organismos que agem sobre os naufrágios e estes são facilmente vistos quando mergulhamos. Basta
olhar para um casco afundado e veremos como rapidamente ele foi agregado
à paisagem, sendo recoberto por algas, esponjas, moluscos e corais,
transformando-se no habitat de muitos outros seres. Alguns recobrem o
naufrágio, tornando difícil sua localização e visualização, outros o
perfuram e minam suas estruturas comprometendo sua conservação ou a
recuperação de objetos nele encontrados. Abaixo
falaremos um pouco sobre alguns destes agentes biológicos. CELENTERADOS: Alguns
representantes deste filo influenciam na localização e recuperação de
peças de um naufrágio pois o recobrem rapidamente e de maneira compacta. São
os animais mais inferiores que possuem tecidos definidos. Os indivíduos são
solitários ou coloniais e possuem dois tipos: o pólipo, com um corpo tubular tendo uma extremidade fechada e fixa e
a outra com a boca central, geralmente circundada por tentáculos moles e,
como outro tipo, a medusa, de
locomoção livre, com um corpo gelatinoso em forma umbrela, margeado com
tentáculos e tendo a boca numa projeção central da superfície côncava.
Cada indivíduo tem uma cavidade digestiva, algumas fibras musculares e
muitas cápsulas urticantes, os nematocistos.
Todos são aquáticos e quase todos marinhos. O filo inclui os hidrocorais,
as medusas, as anêmonas, as gorgônias e os corais verdadeiros. No
Brasil são vários os representantes deste grupo, onde podemos destacar:
Mussimilia
hispida e Mussimilia harttii
- os corais cérebro;
Palythoa
braziliensis - comum em todo o Brasil;
Millepora
alcicornis - um hidrocoral comum em nossas águas; e
Phyllogorgia
dilatata - um tipo de gorgônia freqüente ao norte do Rio de Janeiro. MOLUSCOS: Dentro
deste filo encontramos os animais que mais danos provocam nos naufrágios
que possuem estruturas em madeira, pois dentro dele encontramos os dois
maiores perfuradores de madeira. O
primeiro grupo é o do gênero Martesia,
pertencentes à família Pholadidae.
Todos os representantes da família enterram profundamente no substrato
mas, os do gênero Martesia
vivem enterrados na madeira, onde se fixam pelo pé, perfurando-a com a
porção anterior e afiada da concha. Espécimes ativos, quando removidos
dos buracos em que se alojavam, mostram-se incapazes de reenterrar-se. A
velocidade de crescimento, bem como o tamanho dos indivíduos varia muito
dependendo da dureza da madeira e da densidade da população. São
cosmopolitas em águas tropicais e subtropicais. No Brasil encontramos as
seguintes espécies: Martesia
striata, Martesia fragilis e
Martesia cuneiformis. O segundo grupo é o do gênero Teredo, pertencente à família Teredinidae. Possuem concha pequena que recobre somente a porção anterior do animal, e é claramente dividida em três regiões, atuando como ferramenta raspadora.
O
corpo do teredo é alongado e vermiforme, alojado num tubo revestido por
calcário que se abre para o exterior por meio de um pequeno orifício de
difícil identificação, e que serviu para a penetração inicial do
animal na madeira. Durante a vida deste animal o orifício permanece
aberto, permitindo a entrada ou a saída de água. material de excreção,
elementos reprodutores e, em algumas espécies, do plâncton usado como
alimento. Um par de paletas calcárias, localizadas lateralmente aos sifões
e acionadas por fortes músculos, pode fechar o orifício, impedindo a
entrada de partículas ou de animais indesejáveis. Por meio de contrações
do músculo adutor, o teredo faz com que os dentículos da região
anterior da concha, raspem a madeira, retirando partículas que são
enviadas à boca e finalmente expelidas pelo sifão exalante, depois de
passarem pelo tubo digestivo. O aproveitamento da madeira como alimento
varia de espécie para espécie. O
teredo é cosmopolita mas surge prevalentemente em águas mais quentes,
nas regiões intertropicais. No Brasil existem mais de dez espécies,
entre elas: Teredo navalis, Teredo bartshi, Teredo fulleri,
Bankia carinata, Bankia
campanellata e Neoteredo reynei. Para
se ter idéia dos prejuízos que o teredo pode causar podemos citar que
foi devido aos danos provocados por ele que as embarcações começaram a
receber coberturas em suas estruturas externas submersas, inicialmente
(por volta do século XVI) com placas de chumbo e posteriormente (na
primeira metade do séc. XVIII) com chapas de cobre, pois as de chumbo
aumentavam consideravelmente o arrasto da embarcação. Marcello De Ferrari. |