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Amsterdam |
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De todos os invasores de nosso território, foram os holandeses que por mais tempo permaneceram e maiores conquistas perpetraram. Sua maior arma: a Marinha. Não só por suas embarcações, mas principalmente, por seus comandantes. Destes
um dos que mais se destacou foi Pieter Pieterzoon Heyn, mais conhecido
como Piet Heyn. Nascido em 1577 em Delfthaven estava marcado para ser um
dos mais aguerridos combatentes navais holandeses. Seus
feitos incluem a participação, como vice-almirante, na tomada da cidade
Salvador em 1624; no ataque, também a Salvador, em 1627, desta vez já
como Almirante; e, sua maior ação foi o da captura de uma frota
espanhola na baia de Matanzas (Cuba) em 8 de Setembro de 1628. Neste última,
tal foi a riqueza conquistada que parte dela custeou a invasão holandesa
em Pernambuco de 1630. Não
nos cabe aqui descrever a carreira do almirante holandês mas sim
um dos acontecimentos em que esteve envolvido: o do ataque à cidade do
Salvador em 1627, no qual perde sua Capitânia, a
“Amsterdam”. A
Esquadra A esquadra de Piet Heyn, composta de 14 embarcações armada com 312 canhões (sendo 32 de bronze, 191 de ferro e 89 colurbinas), partiu da Holanda em maio de 1626 e deveria unir-se à do General Hendrickszoon no Caribe. Tendo
capturado uma pequena embarcação, soube que o General havia morrido e
sua esquadra retornara aos Países Baixos. Partiu então para a África
(Serra Leoa) onde permaneceu algum tempo para repouso. De lá
zarpou em 19 de Janeiro de 1627, em direção à costa brasileira,
que foi avistada em 2 de Março. A
Batalha Ao
chegar à Bahia, tencionava o Almirante pegar de surpresa a população de
Salvador mas, devido à calmaria encontrada, teve de fundear e só pode
entrar na baía de Todos os Santos na tarde do dia seguinte. Quando a
esquadra invasora foi avistada, o Governador Diogo Luis de Oliveira fez
com que a Frota dos Açúcares, que contava com 26 embarcações já
carregadas e prestes a partir, fosse conduzida mais próximo da cidade sob
o abrigo das fortificações, principalmente a do Forte de S.Diogo e a
bateria da Laje. A
Frota dos Açúcares tinha como capitânia uma embarcação fretada de “Stralsund”,
com 600 toneladas, armada com 18 canhões e que transportava 70 soldados.
Eram também de certo porte duas embarcações fretadas de Hamburgo: a
almiranta, embarcação de 360 toneladas armada com 16 peças, e a embarcação
fiscal, com 300 toneladas e armada com 16 peças,
ambas transportando entre 60 e 70 soldados. Três
navios holandeses tomam a dianteira na ofensiva:
“Amsterdam”, Hollandia
e “Gelderlandt”. O
Almirante foi obrigado, devido ao vento, a aproar para um local entre os
fortes de Santiago da Água dos Meninos e São Filipe de Montesserrate,
para assim poder bordejar e posicionar-se diante da cidade. Com esta
manobra passou a ser alvejado pelos fortes de Santiago, São Diogo e da
Laje, mas, numa manobra arrojada, posicionou-se entre a capitânia e a
almiranta da Frota dos Açúcares, fundeando entre elas e iniciando uma
incrível batalha de artilharia. Pouco
tempo depois, naufragava a almiranta lusa depois de ser terrivelmente
varada de balas e logo depois se rendia a capitânia. Tendo eliminado as
duas maiores embarcações da Frota dos Açúcares, foi dada a ordem para
que todas as embarcações holandesas atacassem o resto da Frota.
Utilizando lanchas e chalupas, e mesmo com o constante e pesado ataque que
lhe era feito pelos fortes da cidade, em menos de três horas os
holandeses capturaram vinte e duas embarcações portuguesas e iniciaram
sua retirada para fora do raio de ação dos fortes. Durante
a retirada, a “Amsterdam” e a “Gelderlandt” encalharam no Banco da
Panela, situado a uma milha a oeste do atual cais do Comando do Segundo
Distrito Naval, tornado-se assim alvos fixos das baterias da cidade. À
noite, a “Gelderlandt”, alijando parte de seu armamento e carga
conseguiu safar-se mas, mesmo com o apoio das outras embarcações, seja
no ataque das fortalezas, seja na tentativa de desencalhá-lo, a “Amsterdam”,
já tão crivado de balas que, segundo Joannes de Laet, “ já não
parecia um navio”, foi incendiado e finalmente abandonado, enquanto
afundava, por Piet Heyn e pelos outros sobreviventes. O
Navio A
“Amsterdam” era uma embarcação de 300 lasts, medida que corresponde
a atuais 600 toneladas, armada com 40 canhões, dos quais 8 eram de bronze
e os restantes 32 de ferro. Possuía 3 mastros, um comprimento de quilha
próximo aos 33 metros e uma boca de 12
metros e um calado de 4 metros. Transportava
204 tripulantes (140 marinheiros e 64 soldados), deste total 37 foram
mortos e 77 feridos, uma perda significativa, se comparada às 100 baixas
do restante da esquadra durante a batalha, mas esta tripulação pode ser
reposta utilizando o grande número de mercenários franceses, ingleses e
alemães que estavam nas embarcações fretadas pelos portugueses. A localização do naufrágio e seu resgate Em
1980 a empresa brasileira SALVANAV Salvamentos Ltda., foi autorizada pelo
Ministério da Marinha, a pesquisar e coletar materiais ao largo da Praia
da Preguiça, nesta tarefa foram recolhidas balas de mosquete, prumos de
chumbo e um jarra “belarmina” (jarra holandesa, em cerâmica, que
possui uma representação do Cardeal espanhol Belarmino, personagem
odiada pelos holandeses, pois fora o Governador Geral dos Países Baixos
durante a ocupação espanhola) . Robert
Marx afirma que, em Janeiro de 1981, retornado ao local, que já houvera
visitado em Maio de 1979, conseguiu encontrar os restos do Amsterdam
enquanto pesquisava uma embarcação do séc. XIX, quando durante um
mergulho encontrou uma massa metálica que identificou como sendo a de um
canhão de época bem anterior à do navio em estudo. Pesquisas
posteriores demonstraram que os restos da embarcação holandesa estava próximos,
e por vezes soterrados, pela embarcação do século passado. Durante
quatro meses, o air-lift foi utilizado durante doze horas diárias e o
resultado foi o da retirada de 6 canhões de ferro ( é bem provável que
os de bronze, devido ao seu grande valor na artilharia da época, tenha
sido retirados pouco tempo depois do naufrágio ) e mais de 5000 artefatos
incluindo algum “tesouro”: balas de canhão e de mosquetes, pistolas,
mosquetes, espadas, granadas incendiárias feitas de vidro, objetos de
cutelaria, uma fina coleção de peças de prata e estanho, objetos de cerâmica,
compassos de navegação em bronze, além de muitos itens pessoais, tais
como botões, botas de couro e anéis. Do tesouro fazem parte algumas centenas de moedas em ouro e prata, alguns botões em ouro e 3 quilos de ouro não trabalhado. Foram também coletados 90 quilos de ossos humanos, incluindo alguns crânios, pertencentes aos tripulantes perecidos na batalha, estes foram remetidos à Holanda, onde foram sepultados com a devida cerimônia. Parte destas descobertas fazem parte do acervo do Museu da Marinha no Rio de Janeiro e o restante foi leiloado em Amsterdã. Marcello De Ferrari. |
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