Arqueologia subaquática

Os naufrágios sempre atraíram o homem, a princípio pelas riquezas que neles podem estar, ou pelo interesse militar, ou pelo interesse histórico. A história das pesquisas em naufrágios é quase tão antiga quanto a história dos próprios naufrágios . É o caso dos navios mercantes fenícios, gregos e romanos que, quando sua posição de naufrágio era conhecida, recebiam rapidamente a visita de mergulhadores que tentavam recuperar o carregamento perdido. O mesmo ocorria quando um galeão afundava, e logo tentava-se recuperar a carga de metais preciosos e os canhões, que seriam utilizados para proteger outro barco, talvez mais afortunado.

Mais recentemente o homem já descia em sinos de mergulho que começaram, depois de certo tempo, a receber ar vindo da superfície

                 

Toda a evolução naval foi acompanhada por uma evolução tecnológica para o resgate de sinistros que culminou hoje com um desenvolvimento acentuado nos equipamentos de localização e recuperação onde podemos citar os sonares, os magnetometros, os balões elevadores, ou air-lifts, e muitos outros. Paralelamente surgiu a necessidade de conservar estes achados que, logo depois de terem sido retirados da água, começavam a decompor-se.

Em tempos mais recentes, surgiu uma mentalidade histórica com a criação da chamada Arqueologia Subaquática que transportou algumas das técnicas da pesquisa arqueológica terrestre para sob as águas, adaptou-as por necessidade e ainda engatinha, apesar dos feitos que já conseguiu. Feitos tais como a retirada do Wasa em 1959 do golfo de Estocolmo; a exploração de um barco bizantino em Yassi Ada, na Turquia, onde puderam ser experimentados os primeiros métodos modernos de recuperação; as pesquisas em Port Royal, cidade que afundou parcialmente devido a um maremoto em 1692; e muitos outros, culminando com os trabalhos tais como os no Mary Rose, no navio de Spargi, no Projeto Belle ou no do Hunley.

NO BRASIL:

No Brasil, a pesquisa ordenada de naufrágios apenas engatinha, não é nula graças a alguns trabalhos, realizados pela Marinha por intermédio das Capitanias dos Portos, na exploração de sítios como o do Galeão Sacramento, no Rio Vermelho (Bahia); do Galeão São Paulo, afundado em 1652 defronte ao cabo de Sto. Agostinho (Pernambuco) e do Encouraçado Aquidabã em Jacuacanga (baia da Ilha Grande).

Mesmo que a metodologia utilizada nos trabalhos acima possa ser atualmente discutida, estes foram os primeiros passos de nossa Arqueologia Subaquática.

De maneira infeliz, muitas vezes vemos na mídia, seja ela escrita ou televisiva, pessoas ou grupos que afirmam estarem fazendo Arqueologia mas, na realidade apenas estão depredando naufrágios sem nenhuma metodologia de mapeamento ou escavação.

A situação mais comum que encontramos é a da recuperação de objetos feita de forma ilegal, seja ela realizada por amadores ou profissionais. Muitos artefatos retirados de embarcações naufragadas em nossa costa já foram encontrados em antiquários pelo mundo a fora.

Nossa pequena tradição em conservar nosso patrimonio, está sendo alterada com a formação, especialmente na Universidade de São Paulo, de arqueólogos com mestrado e doutorado na área de Arqueologia Subaquática.

Marcello De Ferrari

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