No dia 31 de dezembro de 1752, partiu da Holanda com destino a Bengala, a embarcação BREDENHOF. Transportava um rico carregamento, do qual faziam parte: 14 barris de "Duit" (pequenas moedas de cobre), 29 cofres contendo 50 lingotes de prata cada e 1 cofre com 5.000 ducados de ouro.
A prata, que estava dividida em 1.450 lingotes atingindo um peso total de 2.840 Kg., seria fundida na forma de rúpias assim chegasse ao seu destino.
Durante a viagem, houve uma escala na Cidade do Cabo (11.04.1753) onde foram deixados nove tripulantes doentes e onde foram embarcadas 38 toneladas de farinha e vinho. Tendo a BREDENHOF partido no dia 25 de abril, velejou ao longo da costa oriental da África onde, no dia 6 de junho, acabou encalhando num recife a 13 milhas da costa.
O comandante Jan Nielsen e os 260 tripulantes tentaram safar a embarcação diminuindo seu peso, jogando ao mar os canhões e parte da carga, além de lançar âncoras. Durante dias o árduo trabalho foi executado, mas sem sucesso. As condições climáticas foram piorando, o que os obrigou a uma tentativa desesperada: lançar ao mar o resto da carga, o que incluía os cofres com a prata.
No dia 11 de junho, a BREDENHOF continuava encalhada e começava a quebrar-se. Foi dada a ordem de abandonar a embarcação e para tal, foram construídas balsas, utilizando partes do navio encalhado. Uma delas virou, vários tripulantes afogaram-se e, a duras penas, cerca de 200 pessoas conseguiram chegar à terra.
A total salvação ainda estava bem longe para os que conseguiram chegar em terra firme. Foi necessária uma jornada de dois meses e meio, ao longo de uma costa desolada habitada apenas por animais selvagens, até que alcançassem uma vila comercial portuguesa. Dos que em terra chegaram, apenas um pouco mais da metade conseguiu terminar a viagem.
Após ter sido transportado até Moçambique, um dos sobreviventes partiu para a Índia onde relatou o ocorrido aos representantes da V.O.C. e de onde foi enviado para tentar recuperar parte da carga jogada ao mar.
Durante a viagem de resgate, cruzou com uma embarcação portuguesa que lhe informou sobre uma tentativa infrutífera, realizada pelos portugueses da vila onde havia sido salvo. Tendo chegado ao local do naufrágio, conseguiu localizar alguns canhões e as âncoras e nada achou da prata.
Em 1756, os holandeses realizaram uma nova tentativa de resgate mas esta também acabou sem sucesso e o naufrágio foi esquecido.
Apenas em 1985, uma companhia de resgate sediada nas Ilhas Cayman, com o auxílio de uma equipe de mergulhadores, tentou sua sorte,. Também para estes, tudo parecia dar errado. Após várias semanas de trabalho, nada havia sido encontrado e os trabalhos estavam prestes a ser suspensos quando, num de seus últimos mergulhos, um dos mergulhadores encontrou uma moeda de prata. Novos mergulhos foram realizados e só então foram localizados um canhão e uma pequena âncora. A partir destes pontos realizou-se uma busca metódica tendo então sido localizados: uma grande quantidade de "Duit", todos datados de 1752, e mais de 550 lingotes de prata.
Em dezembro de 1986, a Christie´s de Amsterdam leiloou 542 destes lingotes, que alcançaram um valor total de cerca de US $ 250.000.
Marcello De Ferrari.
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