A China tem arqueologia subaquática...
E COMO !!

A China, com sua vasta história e grande costa, abriga em suas águas milhares
de embarcações naufragadas. Como em muitos países, estes naufrágios foram, e
ainda são, alvo de operações de resgate que buscam, na maior parte das vezes, retirar
grandes volumes de porcelana.
Nos últimos 20 anos, diversos foram os grandes leilões de cargas retiradas de navios chineses,
como muitas são as peças que podem ser compradas
pela internet. Para tentar conter esta fuga de patrimônio histórico, a China vêm tomando diversas medidas,
sejam elas na prevenção e fiscalização, seja na ampliação de sua Arqueologia Subaquática.
O Centro de Arqueologia Subaquática da China foi fundado em 1987 e sua criação está diretamente ligada ao naufrágio que recebe o nome de Nanhai N. 1. (ver matéria sobre este navio).
Uma das agências ligadas ao Ministério da Comunicação da China estava, em conjunto com uma emprêsa britânica de resgates, tentando localizar uma embarcação holandêsa do século XVIII quando, durante uma dragagem, centenas de peças de porcelana e outros objetos foram resgatados.
Quando informada do achado, a Administração Estatal de Heranças Culturais mandou suspender os trabalhos. Os objetos resgatados foram mostrados ao Prof. Zhang Wai, graduado na Universidade de Pequim. Como a China não dispunha de métodos e meios para efetuar uma campanha no sítio do naufrágio, o Prof. Zhang Wai foi enviado, ainda em 1987 à Holanda para adquirir uma formação de mergulho e nomeado o primeiro diretor do Centro de Arqueologia Subaquática da China.
Logo após seu retorno, em 1988, ministrou o primeiro curso de Arqueologia Subaquática e formou o primeiro grupo de trabalho. Vai para os Estados Unidos, em 1989, participar de um curso ministrado por George Bass, o "Pai" da Arqueologia Subaquática.
De maneira oficial, o primeiro projeto do Centro inicia-se em Novembro de 1989, e é no próprio Nanhai N.1. Os primeiros resultados foram pequenos e, devido a falta de fundos e de pessoal, o projeto foi suspenso.
Apenas em 2001, já com uma equipe de 40 pessoas e recebendo um apoio financeiro de 150.000 US$, da Hong Kong Underwater Archaeology Association, os trabalhos recomeçaram.
Após terem relocalizado a embarcação, por dois anos executaram trabalhos de prospecção e desenhos. Apenas em 2003 entraram num dos compartimentos semi-enterrados do naufrágio e nele encontraram cerca de 4.000 peças de porcelana. Com este achado e com as informações coletadas, confirmou-se da necessidade de muito tempo e dinheiro para os trabalhos.
Em 2005, numa reunião com o Ministro das Comunicações, foi sugerido que o naufrágio fosse retirado inteiro da água, similarmente ao que foi feito com o Vasa na Suécia. A idéia foi aceita e, com o crescimento econômico que a China vêm tendo, os fundos necessários foram direcionados ao projeto.
Como eles não estão brincando, além da retirada do navio, foi construído, a um custo aproximado de 20 milhões de dólares, o Nanhai n. 1 Museum, também chamado de China´s Marine Silk Road Museum, ou ainda Cristal Palace, onde o navio inteiro ficará num tanque gigante, com as mesmas condições em que se encontrava no fundo: salinidade, temperatura e PRESSÃO, isso mesmo, ele ficará saturado. Nele os arqueólogos subaquáticos continuarão os trabalhos e visitantes poderão observar a escavação arqueológica.
Pelo que estou vendo, mesmo com apenas 20 anos, dos quais praticamente 15 sem muita atividade, a China em breve nada irá dever, quanto à Arqueologia Subaquática, aos países europeus e aos Estados Unidos.