AGENTES QUE INFLUENCIAM AS CONDIÇÕES DO NAUFRÁGIO E DO MERGULHO


Após os dois eventos iniciais, o “afundamento” e o choque com o fundo, o naufrágios sofrerá uma deterioração gradual que é acelerada ou não, de acordo com as características do local onde se encontra. Estas características, envolvem fatores físicos, químicos e biológicos que, muitas vezes, condicionam também o mergulho.

Os tipos de fundo também determinam o comportamento que deve ser mantido durante os mergulhos, por exemplo: na ausência de correntes marinhas e com um fundo de sedimentos finos (areia ou lodo) é necessário mover-se lentamente, quase sem bater as nadadeiras e, normalmente, sem tocar o fundo. Os tipos de fundo também condicionam o uso de certos equipamentos para a busca, o levantamento topográfico e o recuperação dos objetos.

No caso dos sedimentos, do ponto de vista físico, quanto menores as dimensões de um sedimento, isto é, quanto menores forem as dimensões das partículas que o formam, maior é a proteção que terá o naufrágio; todavia devemos lembrar que não são apenas alguns grãos que interagem com a estrutura, mas sim todo o ambiente. Sedimentos muito pequenos oferecem condições negativas à deterioração, principalmente a falta de oxigênio, que se torna um fator limitante para que ocorram reações químicas e a  proliferação de organismos (para saber mais sobre fatores biológicos leia nesta mesma seção o artigo: Agentes biológicos que agem sobre os naufrágios).

Outros agentes podem influir nas condições em que será encontrado o naufrágio:

SALINIDADE: definida como a quantidade em gramas de sais presentes em 1 litro de solução e pode afetar de diferentes maneiras o naufrágio.

Uma elevada salinidade provoca a corrosão das partes metálicas por efeito químico ou eletro-químico. Químico quando ocorre a reação direta  entre o oxigênio contido na água (ou nos sais) e os metais. Eletro-químico quando se forma uma corrente elétrica entre os diferentes metais em contato no naufrágio na presença da água salgada, como acontece numa pilha comum  onde o ânodo se consome.

Por efeito da salinidade podem ocorrer variações na sedimentação inorgânica (efeitos secundários da corrosão) e na sedimentação orgânica (organismos incrustantes). Em águas de baixa  salinidade, por exemplo, vivem organismos  incrustantes  menores e o  Teredo navalis (molusco xilófago) não tem condições de sobrevivência.

TEMPERATURA: não age diretamente sobre o naufrágio, mas sim influencia a velocidade das reações químicas e na proliferação de alguns organismos. Atinge também aos mergulhadores como fator limitante do tempo de mergulho pois a condutibilidade térmica da água é elevada, fazendo com que as perdas de calor  se elevem de maneira diretamente proporcional à diferença da temperatura corpórea e a da água.

 

ONDAS: são movimentos irregulares de elevação das partículas de água e que são produzidos principalmente pela ação do vento. Basicamente a onda pode ser esquematizada da seguinte forma:

Como o movimento das partículas é transmitido até uma certa profundidade, correspondente a aproximadamente metade do comprimento da onda, as ondas não influenciam o fundo até que não interajam com ele. Apenas os naufrágios situados na proximidade da costa ou em águas com profundidades menores que a metida do comprimento da onda é que sofrerão a ação mecânica do “moto ondoso”.

A maior energia será desencadeada com a aproximação da zona de quebra das ondas, local onde o fundo age como freio. Os naufrágios que se encontram nesta área fatalmente terão sua integridade perdida em curto espaço de tempo, fazendo com que muitos objetos sejam encontrados nas praias, especialmente após períodos de fortes ventos ou de mar de “ressaca”.  As ondas também criam um obstáculo ao trabalho subaquático pois temos: diminuição da visibilidade, do equilíbrio e dificuldade no apoio de terra ou de superfície.

 

MARÉS: são um movimento periódico de água devido a uma atração dos corpos celestes (principalmente a Lua ) que provocam, durante um,  dia duas elevações e dois rebaixamentos (maré cheia e maré baixa ) com períodos de 6 horas.

Quando as marés possuem níveis elevados criam movimentos de corrente que podem colocar à vista partes ou até um naufrágio inteiro mas também fazem com que este sofra uma erosão mecânica ou uma sedimentação de sais em zonas de fragmentação, aumentando a velocidade de ruptura das estruturas.  

 

 

Para ver um exemplo da ação das ondas e das marés sobre uma embarcação clique AQUI  

 

 

CORRENTES: são deslocamentos de massas de água no sentido horizontal que são originadas por vários agentes, tais como: marés, diferenças de temperatura, evaporação, ação dos ventos e outros.

As correntes podem tanto expor um naufrágio, retirando os sedimentos que o cobrem, como podem danificá-lo e dispersar objetos em grandes áreas. Estes objetos podem ser reconhecidos por estarem desgastados e com as bordas arredondadas (rolados) devido aos constantes choques e atritos com o fundo.

Dependendo de sua velocidade podem comprometer o mergulho mas também podem ajudar o mergulhador a localizar um naufrágio, bastando para tal que ele fique à deriva em meia-água sendo assim carregado por grandes distâncias sem grande esforço físico. O mergulhador também pode utilizar-se das correntes para manter a visibilidade pois, quando as partículas são levantadas são carregadas para longe.

 

Marcello De Ferrari.