FLOR DE LA MAR

Em 1506, Afonso de Albuquerque fora enviado para fundar colônias e obter o controle das rotas marítimas das Índias. Em 1509, ao se tornar Governador Geral das Índias, atacou, saqueou e se apoderou dos portos de Moçambique e Goa. O passo seguinte foi dado em 1511, quando atacou Malaca, uma das mais importantes e ricas de todas as cidades do Oriente, onde eram negociadas mercadorias luxuosas, ouro, marfim e especiarias vindas do Japão, da China, da Arábia, da Índia e da África.

Após doze dias de combate, a cidade rendeu-se e foi imediatamente saqueada. Segundo um relato da época, as riquezas encontradas foram imensas e Afonso de Albuquerque carregou sua nau almiranta, a FLOR DE LA MAR, com 20 toneladas de estátuas de elefantes, macacos e tigres, todas em ouro e em tamanho natural, cofres cheios de diamantes e rubis, além de grande quantidade de moedas árabes e chinesas.

Tendo fortificado a cidade, partiu com sua frota para a Europa em 1512. Apenas dois dias depois na saída do estreito de Malaca, a frota foi atingida por uma tempestade e a FLOR DE LA MAR encalhou num recife (Tenga Reef) ao largo da ponta nordeste da Ilha de Sumatra, próximo a Diamond Point.

Afonso de Albuquerque e cinco oficiais embarcaram numa chalupa na tentativa de retornar a Malaca e foram resgatados por outra embarcação da frota. Ao ser resgatado, decidiu retornar à Europa. Enquanto isto, sua nau almiranta era despedaçada pelas ondas enquanto os tripulantes desesperadamente tentavam se salvar. Dos 400 homens a bordo, apenas 3 se salvaram.

Durante vários séculos o naufrágio ficou esquecido. A primeira tentativa de resgate foi feita pelo italiano Bruno De Vicentiis com o auxílio de um professor de história marítima australiano, Dr. Paul Andel. Ao negociar com os governos malaio e indonésio a concessão de resgate, cada um destes governos quis ficar com o tesouro, negando o pedido ao italiano.

Uma autorização de resgate foi dada, pelo então presidente da Indonésia, Suharto, à empresa PT Jayatama Istika Cipta, a qual pertencia, por coincidência, a um irmão do presidente. Os trabalhos foram iniciados em 1989, sob a supervisão do australiano Paul Martino, que já havia sido preso por recuperação ilegal de naufrágios. No mesmo ano Martino abandonou o empreendimento, sem nada ter encontrado.

Em 1990, os governos português e malaio contestaram o direito indonésio sobre o resgate.

Em 1991, algumas indicações levaram a supor que alguns objetos em ouro havia sido encontrados, com o auxilio de um novo consultor, o famoso caçador de tesouros Robert Marx.

Em 1991, as buscas foram encerradas sem nada ter sido encontrado.

Algumas pesquisas mais recentes, informam que a embarcação partiu-se em duas e que, como estava em águas rasas, teve muito de sua carga resgatada pelos nativos de Sumatra, na própria época do naufrágio.

Marcello De Ferrari.