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O naufrágio do Florida A história do "Reboque" |
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O naufrágio se encontra pousado no fundo, como se ainda estivesse navegando e seu casco está bem conservado. É um dos ótimos mergulhos da região, tendo o local uma visibilidade média de 15 a 18 m. e tendo se tornado o habitat de uma rica fauna, da qual podemos destacar as raias cinza e chita, além de tartarugas, moréias, cardumes de parú branco, de salemas e, com menor freqüência xaréus e barracudas. |
Muitos naufrágios na costa brasileira possuem nomes “populares”, pois deles não é conhecida nem sua história e nem mesmo seu nome. Para
se descobrir a história de uma embarcação naufragada, conta-se
basicamente com duas possibilidades: localizá-la por meio da pesquisa
documental ou encontrar no próprio naufrágio elementos que nos dêem
seu nome ou um ponto de partida para a localização documental de sua
história. Após
ter pesquisado sobre os naufrágios ocorridos na região do
Recife,
cheguei à conclusão que a embarcação naufragada que levava o nome de
Reboque era na verdade um rebocador inglês, chamado FLORIDA.
Esta conclusão foi alcançada de acordo com a posição relatada pelo
inquérito que se seguiu ao naufrágio da embarcação inglesa. Ainda
assim faltava uma confirmação, pois a data que correntemente era
divulgada, não batia com os dados conseguidos. O
naufrágio do FLORIDA encontra-se a 14 milhas do porto de Recife,
defronte a Olinda, numa profundidade que varia dos 29 aos 33 metros. A
história corrente era a de que teria sido torpedeado durante a 2a.
Guerra Mundial. Existe aqui uma grande falha de cerca 30 anos, no período
do naufrágio, falha esta devida à falta de pesquisa histórica. A confirmação de minha pesquisa histórica foi dada pela localização, feita pelo mergulhador Joel Calado dono da operadora Projeto Mar, de uma placa de fabricação do rebocador fixada a um funil da caldeira. Pode-se
então, com total segurança afirmar que o chamado Reboque é na
verdade, o naufrágio do FLORIDA. Sua
história é a seguinte: foi construído em aço, no ano de 1908 pela
Cox & Co. de Falmouth para a Wilson Sons & Co. (Londres – Rio
de Janeiro). Sua tonelagem bruta era de 77 toneladas. Em 1911 foi
transferido para a empresa Rio de Janeiro Lighterage Co. Ltd.
Ao final do ano de 1916 foi enviado para prestar serviços no
porto de Buenos Aires. Com
a grande necessidade de embarcações militares na Grã Bretanha, devido
à 1a. Guerra Mundial, o War Office britânico comprou o
rebocador para ser engajado na British Army, na função de navio caça-minas.
Partiu então de Buenos Aires, com destino a Europa, fazendo escalas no
Rio de Janeiro e em Recife. Quando se encontrava neste último porto,
foi requisitado para transportar um carregamento de carvão mineral até
Fernando de Noronha, de onde partiria diretamente para a Grã Bretanha. Comandada
pelo capitão Oswald Hilkirt e com uma equipagem total de 11 homens,
partiu do porto do Recife no dia 28 de Junho de 1917. As
condições de mar não eram favoráveis, forte vento e grandes ondas
faziam com que a navegação fosse bem morosa e o rebocador fortemente
atingido pelas vagas. Com o constante varrer das ondas, a carga de carvão
começou a encharcar, provocando certo desequilíbrio no centro de
gravidade da embarcação, que começou a adernar. O
capitão Hilkirt constatando o perigo que corriam, saiu da cabine de
comando e ordenou que parte da carga fosse jogada ao mar. Sua ordem nem
teve tempo para ser cumprida. Uma forte onda atingiu a embarcação que
adernou de boreste e enfiou a proa no mar. Em menos de 5 minutos,
segundo declarações dadas no inquérito, o FLORIDA naufragava
totalmente. Num
golpe de sorte um dos tripulantes, o marinheiro Charles Bergmann,
conseguiu agarrar-se a um dos botes e, assim que pode nele embarcar,
remou em busca dos colegas. Apenas conseguiu localizar 4 deles. O
naufrágio ocorreu nas primeiras horas da tarde e devido ao mau tempo,
apenas às 20:00 hs. os cinco sobreviventes chegaram a costa de Olinda.
Logo ao chegar, informaram o ocorrido e, do porto, partiram lanchas e um
rebocador ao local do desastre. Lá chegando, nada encontraram. Os
sobreviventes foram dois marinheiros ingleses, Charles Bergmann e
Michael Gost; dois marinheiros russos, Alex e Jengers e um marinheiro
americano, John Vigas. Dos outros membros da equipagem nada mais se
soube. O
inquérito realizado concluiu que o excesso de carga, aliado ao aumento
de seu peso pela água, foi o fator que provocou ao naufrágio. Como
o FLORIDA, outros naufrágios ainda terão sua história
desvendada, nos resta apenas ter um pouco de paciência e ir desvelando
pouco a pouco os mistérios que o nosso mar ainda guarda. Marcello
De Ferrari. |
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