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Tesouros
arqueológicos africanos Depois de mergulhar na costeira abaixo de um forte do século XVI, na costa de Quênia, arqueólogos subaquáticos informaram sobre a localização de naufrágios e sobre a primeira pesquisa arqueológica no Oceano Ìndico africano. Depois de 10 dias de pesquisas nas águas ao redor de Ilha de Mombasa, foram descobertos quatro navios afundados, inclusive uma fragata portuguesa destruída durante uma batalha no início da década de 1690, além de cerâmicas datadas entre 3000 A.C. e 10,000 A.C. Mas eles disseram que esses achados são pouco se comparados às recompensas de uma realização mais importante: Uma pesquisa abrangente do contorno da costa e do solo oceânico adjacente. "É a primeira vez que traçamos o perfil subaquático" disse Colin Breen, um dos mergulhadores e arqueólogo da Universidade de Ulster na Irlanda do norte. "Antes disto, o foco estava na pesquisa exclusiva dos naufrágios. O que nós estamos tentando fazer é mapear a região inteira." A Arqueologia Subaquática não só se focaliza em naufrágios individuais mas no ambiente em que eles se encontram, analisando como vida evoluiu em áreas litorâneas, disse Breen. E a costa oriental da África, visitada durante séculos pelos marinheiros asiáticos, árabes, africanos, e posteriormente por europeus, provê um rico campo de pesquisas. "Nós estamos tentando criar consciência entre arqueólogos sobre o potencial de África Oriental. Muito da arqueologia africana ou é negligenciado ou é ignorado". Usando uma mistura de mapas seculares, sonares e tecnologia geofísica para desenhar o solo oceânico, os arqueólogos descobriram antigos assentamentos Swahili engolidos pelo oceano ascendente. Eles localizaram dois dhows, uma barcaça da década de 1920 que afundou enquanto levava azulejos de Calcutá, Índia, e a fragata portuguesa, como também cerâmica da China, Europa e o Oriente Médio. Desde o dia 15 de Janeiro, uma equipe de 22 mergulhadores e arqueólogos da Universidade de Ulster, em colaboração com os Museus Nacionais de Quênia e o Instituto britânico na África Oriental, pesquisou as águas ao redor de Mombasa, o maior porto da África Oriental e que possui uma rica história. "Por muito tempo nos concentramos em... locais arqueológicos que podemos ver na terra, entretanto existe esta outra herança lá fora... e que foi submersa" disse Athman Lali, um arqueólogo do Quênia. "É muito importante preservar este conjunto." Os habitantes originais da área, chamados Swahili, da palavra árabe" sahel" que quer dizer costa, comerciou com árabes da península Arábica e da área de Golfo Persico. Buscando uma rota marítima para a Índia, os marinheiros portugueses chegaram em Mombasa em 1498 e dali fizeram sua principal base na África Oriental. Foram os portugueses que construíram, em 1593, o Forte Jesus numa escarpa próxima ao porto. Em 1696, as forças do Sultão de Omã começaram um assédio de dois anos ao forte. Os portugueses perderam quatro navios, um dos quais os arqueólogos confiam em 90 por cento que descobriram. "Sem a escavação, você nunca está 100 por cento seguro." Breen disse. O navio está enterrado debaixo de um montículo de areia a 14 metros de profundidade e se parece com o dorso de uma baleia. Os arqueólogos não querem resgatar a embarcação e tentarão preservá-la in situ . "A Arqueologia é por natureza destrutiva. Desta maneira ela passa a ser não destrutiva" disse Breen, enquanto descrevia uma nova tendência da arqueologia para preservação de naufrágios. “Já aconteceu antes neste continente: objetos foram retirados e depois vendidos. Resgatar um navio do fundo custa milhões de dólares e mais cara ainda é sua conservação. O naufrágio durará muito mais tempo se permanecer recoberto.” Marcello De Ferrari. |
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