NAUFRÁGIOS NA OCEANIA
(O MAPA É INTERATIVO)


 LOCAL NOME DATA HISTÓRICO
 

 AUSTRÁLIA

 

TRYAL 1622

A embarcação da EIC. (English East India Company) capitaneada pelo comandante John Brookes teve o triste destino de ser a primeira embarcação britânica a naufragar na Austrália. Após ter atingido um recife a cerca de 14 milhas das Ilhas Montebello, a embarcação ficou encalhada e, com a mudança inesperada do tempo, partiu-se em dois e naufragou totalmente. 50 pessoas se salvaram e 96 pereceram.
O naufrágio foi localizado em 1969.No mesmo ano, o Western Australian Museum enviou uma expedição para pesquisar a embarcação, mas devido às condições climáticas, esta expedição só pode iniciar os trabalhos em 1971 quando constatou que o naufrágio já havia sido depredado por caçadores de tesouro.

 

 AUSTRÁLIA BATAVIA 04 06 1629

Tendo partido de Amsterdam no dia 27 de Outubro de 1928, esta embarcação de 300 toneladas pertencente à Companhia das Índias Orientais (VOC) transportava um rico carregamento de moedas de prata, jóias e objetos de prata. Com o total de 316 pessoas a bordo, o Batavia chegou para um reabastecimento de víveres a África do Sul sem maiores problemas. Tendo partido em direção da atual Jakarta, durante a noite de 4 de Junho de 1629, a embarcação encalhou nos Houtman Abrolhos, um grupo de ilhas e recifes a cerca de 65 Km. da costa da Austrália Ocidental.
Com a embarcação encalhada, os passageiros foram desembarcados numa ilha próxima, com alimentos e uma pequena parte da carga. A maior necessidade era a de água, que não foi encontrada na ilha mas que, após alguns dias foi localizada numa ilha próxima. Com o passar do tempo, uma nova e terrível ameaça surgiu: durante a viagem do Batavia, Cornelisz o comerciante encarregado da carga, já havia planejado um motim e, quando em terra este foi realizado. Aproveitando que o comandante Pelsaert e cerca de 45 homens da tripulação haviam partido em busca de socorro com dois escaleres, Cornelisz em companhia de um grupo de tripulantes e aproveitando-se do fato de ter o mais elevado posto da VOC entre os que ficaram nas ilhas, divide os passageiros em diversos grupos e passa a apoderar-se do tesouro que ainda se encontrava no naufrágio. Todos os que se opuseram foram mortos. Esta matança tornou-se desenfreada, tendo sido mortas, num período de poucas semanas, cerca de 125 pessoas incluindo mulheres e crianças. Apenas um grupo de tripulantes, isolados em outra ilha, conseguiu repelir os ataques e prender Cornelisz e seus homens.
O comandante Pelsaert, que conseguira chegar em Jakarta, retornou para o resgate, mas só conseguiu chegar no dia 16 de Setembro quando então os sobreviventes foram recolhidos. Cornelisz e outros seis amotinados foram enforcados.
Parte do tesouro foi resgatado, por mergulhadores enviados pela VOC, logo no ano seguinte. O naufrágio permaneceu intocado até 1963 quando canhões e algumas moedas foram localizados. Em 1972, o governo holandês transferiu os direitos do naufrágio para o governo australiano e, o Western Australian Museum realizou uma grande operação arqueológica, tendo conseguido recuperar, além de grande quantidade de informações, grande parte do tesouro, objetos pessoais, carga (o que incluiu um portal de pedra completo) e equipamentos do navio.

Para saber mais: Western Australian Museum

 

 AUSTRÁLIA VERGULDE DRAECK 28 04 1656

A embarcação da VOC de 48 metros de comprimento partiu da Holanda com destino a Jakarta em Outubro de 1655, com 250 pessoas à bordo e um tesouro composto de moedas de prata e ouro dividido em 8 cofres. Em sua rota, realizou uma escala em na África onde carregou grande quantidade de presas de elefante. Às 4:00 horas da manhã do dia 28 de abril de 1656, encalhou sobre um recife a 3 milhas da costa. As ondas continuamente o jogaram sobre o recife fazendo com que o peso dos canhões e da carga, destruíssem o costado. Das 193 pessoas a bordo, apenas 75 conseguiram chegar até a costa.
Poucos dias depois, um pequeno grupo formado por sete dos melhores marinheiros foi enviado, num escaler de 6 metros, para tentar conseguir socorro. Após diversas dificuldades, estes homens chegaram alcançaram Batavia no dia 7 de Junho. Expedições de socorro foram enviadas mas nada encontraram nem do naufrágio, nem dos sobreviventes que, possivelmente foram mortos pelos aborígines da região.
A busca pelo naufrágio continuou por diversos anos, sem entanto lograr sucesso. 
Em 1931, quase 300 anos depois, um garoto encontrou um punhado de moedas do séc. XVII junto a um esqueleto e aos restos de uma arca. 
Em 1957, dois mergulhadores anunciaram ter descoberto o Vergulde Draek, descrevendo-o como um naufrágio de cerca 50 metros de comprimento, recoberto pelo coral e com 14 canhões que apontavam para o céu. Mesmo tendo retornado à região mais algumas vezes, não o localizaram novamente. 
Em 1963, um grupo de amigos que praticavam a caça submarina encontrou algumas pedras quadradas de cor avermelhada e, após alguns mergulhos, uma presa de elefante com mais de 1 metro de comprimento. O naufrágio havia sido localizado novamente.
Uma operação de resgate foi realizada, trazendo a superfície centenas de objetos: mais presas de elefante, balas de canhão, utensílios de bordo, potes de cerâmica, candelabros de bronze, cerca de 10.000 moedas (em sua maioria 8 reales espanholas) e dois canhões. Quando a incrustação dos canhões foi retirada, as letras VOC A apareceram, confirmando a origem dos objetos resgatados. Quando da criação do Museum Amendment Act, em 1964, o governo australiano tomou posse do naufrágio e nele foram realizadas diversas campanhas arqueológicas e os objetos resgatados encontram-se em exposição no Fremantle Maritime Museum.

Para saber mais: VOC Historical Society  E VOC Shipwrecks

 

 AUSTRÁLIA ZUIDDORP
ou
ZUYTDORP
1712

Construída em 1701 para a Zeeland Chamber da VOC, tinha 54,2 metros de comprimento, a boca de 13,4 metros, um deslocamento de cerca 400 toneladas e armada com 44 canhões.
A Zuiddorp zarpou da Holanda, acompanhada por outra embarcação, a Belvliet, com destino a Batavia em julho de 1711. O primeiro trecho da viagem foi até o Cabo da Boa Esperança, onde a embarcação parou para reabastecimento e reposição da tripulação, pois durante os longos meses de navegação, 112 tripulantes (de um total de 286) morreram de escorbuto. Permaneceu no Cabo até 22 de Abril de 1712, quando partiu para a parte final da viagem. Neste segundo trecho, seria acompanhada por outra embarcação, a Kockenge. O tempo não foi condescendente para com as embarcações holandesas, que acabaram por se separar durante a navegação. A Kockenge chegou a Batavia no dia 4 de Julho e, da Zuiddorp nada mais se soube.
Em 1927 um pioneiro australiano, Tom Pepper, informou ter descoberto os restos de uma embarcação ao pé de uma falésia 40 milhas ao norte de Murchinson River. O local é árido e de difícil acesso, mas lá conseguiu coletar um antigo timão, alguns equipamentos de bordo e algumas moedas.No ano de 1958, um grupo de exploradores localizou a área do naufrágio. Durante as 3 primeiras semanas não houve possibilidade de mergulhar, devido às fortes ondas no local. Mesmo assim, buscas foram feitas na falésia onde foram encontradas mais de 200 moedas, muitas das quais "doits" e "stuivers", cunhados em 1711. Na parte alta da falésia, localizaram compassos de navegação, pregos, garrafas quebradas e objetos que aparentemente confirmavam que alguns tripulantes haviam se salvado.
Por não existir água naquela região, a vegetação é muito pouca e a caça rara, possivelmente os náufragos permaneceram por algum tempo no local, talvez aguardando socorro e depois partiram pois nenhum resto humano foi encontrado. Não existem relatos de sua chegada em qualquer parte.
Em 1964, aproveitando que as ondas do local estavam baixas, com cerca de 2,5 a 3,5 metros, um grupo de mergulhadores conseguiu resgatar quatro pequenos canhões, alguns utensílios e algumas moedas. Em 1971, uma expedição de recuperação foi feita pelo Western Australian Museum. Os mergulhadores conseguiram recuperar 3.500 moedas, um canhão de bronze, um sino e outros poucos objetos. Como o tesouro transportado deve ser composto de pelo menos cinco vezes mais moedas do que já foram retiradas, muito ainda deve ser encontrado por aqueles que desafiarem o mar naquele local inóspito.

Para saber mais: Western Australian Museum

 

  AUSTRÁLIA ZEEWIJK 1727

Quase 100 anos depois do naufrágio do Batavia, mais uma embarcação naufraga nos Abrolhos da costa Oeste da Austrália. Neste caso a tripulação conseguiu desembarcar grande parte da carga, o que incluiu 10 cofres cheios de moedas de prata, construiu um barco com os restos do naufrágio e com ele chegaram até Jakarta.
Charles Darwin, com seu H.M.S. Beagle estava em 1840, realizando explorações nos Abrolhos quando encontrou um canhão de bronze, cachimbos, garrafas e outros objetos deixados pelos sobreviventes numa das ilhas.
Em 1884, alguns escavadores de guano encontraram moedas, caixas de tabaco e cachimbos no mesmo local. Em anos mais recentes (1967 e 1968), mergulhadores descobriram o naufrágio e recuperaram quatro ancoras, canhões de bronze, dentes de marfim, garrafas de vinho e centenas de artefatos. Todo este material foi entregue às autoridades da Austrália.

 

ILHAS SALOMÃO  ASTROLABE 

BUSSOLE
1788

Dois navios franceses de pesquisa. Transportava a equipe de Jean-François de Galaup, Compte de Lapérouse. Foram os primeiros "visitantes" da Austrália, pois chegaram logo depois da "Primeira Frota" do Governador Phillip. Chegaram em Botany Bay no dia 26 de janeiro de 1788. 
Dali zarparam no dia 10 de março e desapareceram.
Seu destino começou a ser desvandado 39 anos depois, quando o Capitão Peter Dillon, comandando o navio St. Patrick, encontrou objetos dos navios na ilha Tucopia, entre as ilhas Novas Hebridas de Santa Cruz, no arquipélago Salomão. Retornou em 1827 com o navio  Research e descobriu que os sobreviventes conseguiram chegar até a ilha Vanikoro onde, provavelmente, foram massacrados pelos nativos. Outro grupo construiu uma balsa, com partes dos naufrágios, mas dele não houveram mais notícias.
Ao que parece, os dos navios francêses ancoraram um ao lado do outro e foram jogados à costa por um forte temporal.
Numa expedição posterior, em 1828, Dumont d´Urville no navio Astrolab, visitou as ilhas Santa Cruz e confirmou as descobertas de Dillon. 
Mais recentemente, em 1962, os naufrágios foram novamente descobertos pelo engenheiro e mergulhador neo-zelandês Reece Discombe, residente em Vanuatu. Por este feito, e pelas informações que foram coletadas em seguida, recebeu do Presidente  Charles de Gaulle a Medalha de Honra ao Mérito da França.

 

NOVA ZELÂNDIA GENERAL GRANT 14 05 1866

Clipper de 1.103 toneladas construído em Boston. Partiu de Melboure, com destino a Londres, no dia 4 de Maio de 1866.
Transportava lã, couro e pele de ovelhas, 9 toneladas de zinco e 73 quilos de ouro. A bordo 61 passageiros, dos quais boa parte era composta de mineradores que levavam para a Inglaterra verdadeiras fortunas em pó e pepitas de ouro.
No dia 11 de maio, as condições climáticas pioraram e forte neblina apareceu. Dois dias depois por volta da meia noite, a neblina desapareceu e um grande rochedo foi avistado bem à frente da embarcação. O vento parou totalmente e a forte correnteza fez com que o General Grant continuasse na direção do penhasco. Âncoras foram lançadas mas de nada serviram. Quando a embarcação estava para se chocar, ainda houve uma esperança: aparentemente o rochedo possuía uma passagem. Na realidade, o rochedo abria-se numa caverna e lá o General Grant entrou. O mastro foi arrancado pelo teto enquanto a quilha era destroçada pelos rochedos. Botes foram lançados num mar revolto e, das 83 pessoas à bordo, apenas 15 conseguiram chegar até eles. Durante dois dias e duas noites remaram até alcançar uma das Ilhas Auckland. Por mais de um ano o grupo permanceu na ilha até ser resgatado, com exceção de 4 homens que decidiram arriscar a sorte tentando alcançar a Nova Zelândia, destes homens nada mais se soube.
O resgate dos sobreviventes só aconteceu em Novembro de 1867 quando uma embarcação de caçadores de foca, a Amherst, viu e foi verificar a fumaça que vinha da ilha.
Diversas foram as expedições para tentar recuperar o ouro, sendo que 3 delas foram chefiadas por sobreviventes do naufrágio, mas nenhuma teve sucesso, sendo que a última conhecida ocorreu em 1994 quando, John Grattan (em sua terceira tentativa), lançou ações no mercado para tentar conseguir 4.000.000 de dólares que financiariam um projeto de localização e resgate. O valor não foi alcançado e quem investiu perdeu todo o seu dinheiro.
Em 1996 um naufrágio foi localizado próximo das Ilhas Auckland e diversos objetos e moedas foram retirados. Nenhuma das moedas possui data posterior a 1833 e a identificação deste naufrágio ainda não pode ser confirmada.

 

 NOVA ZELÂNDIA  RMS NIAGARA  19 06 1940

No dia 18 de Junho de 1940, o transatlântico NIAGARA atracou em Auckland na Nova Zelândia. Havia chegado de Sydney e se preparava para zarpar com destino a Vancouver com escalas em Los Angeles e São Francisco. Além dos passageiros e seu carregamento normal, transportava 295 caixas com ouro, num valor total para a época de 12 milhões de dólares, pertencentes ao Banco da Inglaterra. Logo após a meia noite, partiu de do porto de Waitemata e, às 03:34 hs. do dia 19, chocou-se com uma mina lançada pelo rider alemão HSK Orion. Os sinos de alarme foram tocados, os passageiros rapidamente foram acordados e ordenadamente subiram para o convés principal. A embarcação começava a adernar quando a ordem de abandonar o navio foi dada. Seu comandante foi o último a sair. Por volta das 05:30 o transatlântico naufragava completamente.
Duas horas depois do naufrágio, os botes salva-vidas foram vistos por um avião e, por volta das 11:00 os 148 passageiros e 203 membros da tripulação foram resgatados por outra embarcação. O Banco da Inglaterra iniciou rapidamente operações de resgate para tentar recuperar seu precioso carregamento. Um grupo formado por 3 companhias de resgate australianas recebeu a tarefa da recuperação. Os trabalho começaram no início de Dezembro de 1940. Após algumas dificuldades como as do tempo ter piorado por várias semanas, a localização e o quase choque com outras duas minas, o naufrágio foi localizado no dia 31 de Janeiro de 1941. Sua profundidade era de cerca 130 metros e mostrava ter sido atingido por duas minas pois existiam dois rombos no casco e havia boa distância entre eles.
Durante os meses seguintes, o casco teve de ser dinamitado bem como a porta da sala forte e, no dia 13 de Outubro, os primeiros lingotes de ouro foram recuperados. Durante 24 dias o ouro não parou de ser retirado. Quando do encerramento dos trabalhos, 277 das 298 caixas haviam sido recuperadas perfazendo um total de 555 lingotes, cerca de 94% do total.