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O tesouro da Nuestra Señora de la Luz |
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primeira expedição moderna a resgatar um tesouro submerso em águas
Sul-americanas, é comandada pelo explorador Rubén Collado e leva o
nome código de “Expedición Brujas”. Ficou conhecida
internacionalmente como o resgate do tesouro do El
Preciado, mas em realidade era a exploração do naufrágio do
Nuestra Señora de la Luz.
O
porto de Montevidéu Ano
de 1752. Depois
de 30 anos de sua fundação, a pequena cidade de Montevidéu possuía
cerca de 1000 habitantes, dos quais a maior parte era formada por pessoas
vindas das Ilhas Canárias. O jovem coronel José Joaquín
de Viana, de 33 anos, exercia o cargo de Governador de
Montevidéu Uma
pequena guarnição protege a cidade-porto dos ataques dos índios
MINUANOS e tentam manter a salvo as fazendas e plantações espanholas. A
Nossa Senhora da Luz O
ex-navio de guerra português se encontrava neste porto já a 3 anos, com
a missão secreta de realizar um embarque de ouro para a Espanha. Depois
de todo este tempo, sua presença já não despertava mais nenhuma
curiosidade e nem sua longa permanência era mais questionada. Pertencente
aos herdeiros de González- Beltrán Larrique y Cía. y Vargas Mesías,
possuía escassas 177 toneladas mas que guardavam em seu interior,
poderoso armamento, típico de um navio que iria realizar travessias ao
Velho Mundo em solitário. A
carga preciosa No
ano de 1749 é iniciada no Chile a cunhagem de moedas a “máquina”,
utilizando-se matrizes, pesos exatos e com a garantia real de que o ouro
do qual eram cunhadas foi utilizado sob a supervisão de representantes
“del Rey”. Durante
1749,1750 y 1751, a Casa de la Moneda de Chile trabalhou
febrilmente cunhando moedas de ouro de 4 e 8 escudos, estes últimos mais
comumente chamados de dobrões. A
quase totalidade do que foi cunhado nestes anos, foi enviada secretamente
por terra até Buenos Aires e, posteriormente até Montevidéu. Lá
chegando, foi embarcada, de forma mais discreta ainda no N.S. de La Luz,
que teria como destino o porto de Cádiz, na Espanha. O
valor declarado na documentação oficial, somando-se a carga de dobrões,
“bolachas de ouro”, prata trabalhada e em lingotes, chegava a um total
de 1:084.075 pesos da época. Um verdadeiro tesouro, se levarmos em conta que, na mesma época, uma fazenda na região custava em torno de 150 a 200 pesos, ou seja , o valor embarcado poderia comprar cerca de 5.000 fazendas. Pouco
antes do desastre O
navio se encontrava a cerca de 3 milhas do porto, com 131 pessoas a bordo,
que aguardavam o embarque do Capitão Feliciano Fonseca, do capelão e de
um pequeno grupo de passageiros, para poderem zarpar para a Europa. Este
grupo que ainda se encontrava em terra, era formado por 22 pessoas.
Durante a manhã, o mar se encontrava muito agitado e foram realizadas 3
tentativas de embarque utilizando-se um pequeno barco corsário do Rei. À tarde irrompeu um forte “pampeiro”, com ventos que atingiram os 100 km/ hora, e o céu se obscureceu, fazendo com que os que se encontravam em terra, perdessem de vista a embarcação. O
temporal O
Capitão de Infantaria José Zumelzón, habitante do local a mais
de 15 anos, declarou na época que este: “foi o mais tempestuoso
temporal que eu tenha presenciado no Río de la Plata" Quando
amanheceu, a Nuestra Señora de la Luz, havia desaparecido e nenhuma vela
era vista no horizonte. Os
marinheiros mais experientes tiravam suas conclusões: “levantaram
ancora e se afastaram da costa durante a tempestade, se tiverem sorte em
um ou dois dias estarão de volta ao porto.” Nas
altas esferas do governo começou o desespero, temendo pelo tesouro
transportado secretamente para o Rei. As
buscas Do
porto saem barcos particulares e navios corsários do Rei em busca da
embarcação desaparecida. Nos
dias seguintes, é jogada à costa uma grande quantidade de objetos que
poderiam pertencer à “N.S. de la Luz” :
caixões, madeirame, barris com aguardente, vinho e água, barris,
partes de velas, roupas, víveres e alguns objetos de prata. Logo em
seguida aparecem moedas de prata, algumas de ouro e cadáveres. A ¾ léguas
de Montevidéu foi encontrada a primeira parte do casco naufragado,
uma légua a frente outra, e outras 2 léguas a mais, sobre uma praia,
foram encontrados seus mastros. O
estado do naufrágio em Agosto de 1752 Quando
de sua localização, Don Luis Fort, Capitão do navio Nuestra Señora
de la Concepción e Francisco Cerqueza, Contramaestre do El Jasón,
descrevem o naufrágio como estando num
fundo de pedra grossa e alguma lama, numa profundidade quando na maré
baixa, de 3 braças (cerca de 5 m.). Distante
da praia 1 milha (1.852 mts) e da cidade de Montevidéu 2 léguas (11.144
mts). Isto
demonstra como o naufrágio “correu” pela ação das forças do vento
e da correnteza. Segundo documentos históricos, pode-se afirmar que o naufrágio foi acontecendo numa extensão aproximada de 40 Km. do porto de Montevidéu.
Os
mergulhadores Com
o passar do tempo, pescadores da região acostumados a nadar nas águas
escuras do Rio da Prata, transformaram-se em mergulhadores livres. Seu único
equipamento consistia numa roupa de couro coberta com graxa para minimizar
o frio das águas, além de grandes quantidades de aguardente, que os
ajudava a “rebater” o frio. Cobravam 3% do que resgatavam. Desde
29.11.1752 até 12.4.1753 recuperaram $ 1.029.326,- do total oficial de $ 1:
084.076,-. Para
guardar os valores resgatados, foi construída uma grande arca com 3
chaves, uma para o Governador, outra para o tesoureiro e a terceira para o
Oficial Real da Fazenda. Durante os anos seguintes, os mergulhadores continuaram a tentar o resgate do que restava do tesouro, mas devido às inclemências do clima e da água fria e escura, bem como pelos pequenos resultados conseguidos, o interesse foi diminuindo até parar totalmente. Novos
resgates Novas
tentativas de resgate foram feitas durante vários anos. Todas as
tentativas tiveram resultados negativos ou muito pequenos. Elas
buscavam retirar do naufrágio não só a cifra faltante, segundo o
manifesto oficial, de $ 53.453.- mas também parte do que havia sido
colocado a bordo como contrabando. Durante
o processo que foi instaurado após o naufrágio, foi conseguida a
tentadora informação de que vários oficiais e passageiros levavam
consigo valores que não foram listados no manifesto de carga. O capitão
Feliciano Fonseca e
o capelão de bordo confessaram estar levando $ 200.000,- como
contrabando. Estes valores devem ter sido maiores, pois a pena aumentaria
conforme o valor declarado. Estes novos dados elevaram o valor do tesouro
ainda submerso para uma cifra de cerca US$ 20 milhões atuais. Nos
dias de hoje A
“Expedición Brujas”, primeira expedição moderna a resgatar
um tesouro submerso em águas Sul-americanas, teve sua primeira fase iniciada
no ano de 1992 recuperou um total de $ 40.000,- (em valores da época). Ao
terminar cada dia de trabalho, era elaborada uma ata onde era descrito o
que fora resgatado pela equipe de Collado. Esta ata era conferida e
certificada pela autoridade naval competente, a Prefectura Nacional
Naval. Os
valores resgatados eram então transportados em carros blindados para os
cofres do Tesouro no Banco de la República Oriental del Uruguay. Quando
uma grande quantidade de moedas de ouro, lingotes, retortas, discos e
placas de ouro e e moedas de prata haviam sido resgatadas, uma nova
dificuldade surgiu: a de como dividir em partes iguais, segundo o acordo
firmado com o Governo uruguaio, este importante tesouro. Várias
foram as propostas estudadas e chegou-se ao consenso de que esta primeira
parte do tesouro seria leiloada. Para organizar o leilão, foram
consultadas as principais casas de leilão de nível internacional. O
tesouro acabou por ser leiloado na casa Sotherby´s,
em Nova
York e na casa Castels
& Castels,
no Uruguai. Parte das peças de maior valor ficou nos cofres do Governo
uruguaio, como parte do patrimônio do Estado. Antes
do leilão, parte do tesouro resgatado foi exibido em diversos paises,
entre eles o Brasil. Os
trabalhos ainda continuam, buscando o que resta do tesouro, pois ainda
existe a possibilidade de encontrar cerca de 50.000 moedas de ouro na
área do naufrágio. Deixo aqui meus agradecimentos à COLLADO RESCATES, na pessoa do próprio Sr. Rubén Collado, pela autorização que me foi dada para o resumo de seus artigos e para a utilização de imagens de sua propriedade. |