PARANA  (1892)

 


De propriedade da Compagnie des Chargeurs Réunis este vapor tinha 105,76 metros de comprimento e 12,19 metros de largura e uma tonelagem bruta de 3.360 toneladas. Construído nos estaleiros Forges & Chantiers de la Méditerranée, em La Seyne, foi lançado ao mar no dia 19 de março de 1882. Seu casco era de ferro, possuia uma chaminé e dois mastros. Seu motor e suas 4 caldeiras lhe davam uma potência de 1650 hp.

No dia 7 de maio de 1892, partiu de Buenos Aires com destino ao Havre. Aportou em Montevideo e partiu novamente no dia 10. Naquela tarde, logo após ter dobrado o cabo de Maldonado, um vento pampeiro vai alterando fortemente as condições de mar. O navio é açoitado por fortes ondas que, algumas vezes, cobrem o seu convés. Esta tempestade dura do dia 11 ao dia 13 de maio, apenas amainando no dia 14.

Por volta das 2 horas da manhã do dia 15, o horizonte se torna inteiramente branco e um denso nevoeiro se instala. Cerca de meia hora depois, sinais de arrebentação aparecem diretamente à frente da embarcação. O capitão Simonet, manda parar as máquinas e revertê-las para "ré à toda". Seus esforços não foram suficientes e o vapor se choca contra um banco de areia na praia de Massambaba, num local chamado de Figueira, atualmente bem defronte ao Iate Clube.

O capitão, após ter sondado a área e constatado que o navio encontrava-se encalhado apenas da metade para a proa, conferenciou com os outros oficiais da embarcação, e ordenou que parte dos fardos de lã, que eram grande parte da carga transportada, fossem atirados ao mar. Por volta das 7 horas da manhã, o motor apaga e o condensador se enche de areia. O vento sudeste começa a atingir o navio vindo pela pôpa e, por volta das 8 horas, a água já invade os porões de ré.

Neste momento, um grupo de pessoas aparece na praia e consegue instalar uma série de cabos vai-e-vêm, iniciando o salvamento dos passageiros e suas bagagens. Durante os dias 16 a 18 de maio, o agente da Chargeurs no Rio de Janeiro envia alguns rebocadores para tentar desencalhar o vapor mas, devido às condições do mar, nada pode ser feito além de terminar o desembarque dos passageiros, suas bagagens e víveres.

Durante o dia 18, o vapor aderna e começa a se partir em dois. Neste momento os oficiais e marinheiros abandonam o navio. As esperanças de recuperação do navio terminam no dia 19, quando ele se parte ao meio.

Nos meses seguintes, uma empresa de salvatagem, pertencente ao Sr. Guilherme Telles Ribeiro, consegue retirar do naufrágio 6 barris de gordura e 35,5 toneladas de lã. Outros resgates nem foram tentados pois as estruturas da embarcação rapidamente foram desmanteladas e parcialmente enterradas na areia.

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