A tragédia do Pirapama e do Bahia

Na tarde do dia 24 de março de 1887 o vapor Pirapama, zarpou do Recife com destino aos portos do Norte do Brasil. Tudo corria normalmente até as 23:00. O mar estava calmo e a maioria de seus passageiros dormia nos camarotes.

O Pirapama

Esta paz iria terminar minutos depois. A aproximadamente 36 milhas do Farol do Picão, um grande impacto é sentido. Passageiros em pânico correm até o convés para ver o que aconteceu.

A imagem que viram era aterradora. O navio em que estavam colidira fortemente contra outra embarcação. Esta embarcação movida por duas rodas laterais tentava com toda a força de suas máquinas ir em direção de terra mas, rapidamente desapareceu no mar.

O navio que fora atingido era o Bahia, pertencente a Empresa Brasileira de Navegação e que procedia da Paraíba dirigindo-se até Recife onde era esperado pela manhã.

O impacto que recebera do Pirapama fora mortal. Atingido na proa, tivera seus porões e posteriormente a casa de máquinas inundadas pela água. Rapidamente foi ao fundo.

Mais de duas centenas da pessoas procuravam salvar-se agarrando em qualquer coisa que flutuasse: bóias, tábuas, móveis, coletes de cortiça. A história nos guarda duas versões sobre a atitude do comandante do Pirapama, numa conta-se que buscou, por cerca de meia hora, os restos e os náufragos do Bahia e, por fim, retornou ao porto do Recife; outra afirma que partiu imediatamente para tal porto, sem sequer procurar auxiliar os náufragos pois, segundo consta nesta mesma versão, seu choque com a outra embarcação fora proposital, motivada por uma discussão, aparentemente por motivos passionais, com o comandante do Bahia.

O socorro viria inicialmente pelas embarcações de pesca saídas da praia de Goiana, que havia visto a embarcação naufragar enquanto tentava chegar a praia. Alguns dos náufragos conseguem chegar a nado à costa. Outros se mantém flutuando enquanto as jangadas não chegavam.

A cena é terrível, pessoas que se separam de seus parentes, gritos implorando socorro, pessoas que se abandonam a morte por não conseguir mais nadar. Vários são os dramas como o de uma criança de 5 anos que, no momento em que iria ser salva junto com sua mãe, dos braços dela se solta e desaparece no mar. A uma mulher é recusado um lugar numa prancha pois nela não cabia mais ninguém e, por mais que implorasse, acabou por se afogar.

Na manhã seguinte partem de Recife o vapor Jiquiá da Companhia Pernambucana de Navegação e o rebocador Moleque para tentar localizar náufragos e os trazer para o Recife. Ambas encontram apenas mortos que boiavam e os recolhem. Nas praias também chegam vários cadáveres e inicia-se a contagem das perdas humanas.

Mais de 40 pessoas entre tripulantes e passageiros são dados como mortos. Entre eles o comandante, Primeiro Tenente Aureliano Isaac e o Imediato Silvério Antônio da Silva.

Quanto ao Pirapama, os danos que sofreu não foram suficientes para afundá-lo mas, para seus armadores, eram suficientes para que não houvesse recuperação. Permaneceu ainda por 2 anos a flutuar enquanto era despojado de importantes equipamentos e, finalmente, em 1889, foi levado a 6 milhas do porto e afundado.

Estas duas embarcações próximas, até demais, em sua história e distantes no ano e local de seu naufrágio podem ser consideradas como dois dos melhores pontos de mergulho em naufrágio do Nordeste pois hoje, além de suas características, são habitat de várias espécies que tornam o mergulho ainda mais interessante.

Localização

Naufrágio do Bahia: Numa profundidade de 23 metros, a cerca de 6 km da Praia de Ponta de Pedras e defronte à cidade pernambucana de Carne de Vaca. A visibilidade varia entre os 5 e + de 30 metros e, além do belo naufrágio, freqüentemente são vistas tartarugas, raias e lambarús.

Naufrágio do Pirapama: A apenas 6 milhas do porto do Recife e a uma profundidade que varia dos 22 a 25 metros. Nele é comum encontrar raias, tartarugas, moréias, bijupirás além de grandes cardumes.

Marcello De Ferrari

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