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Três
novos naufrágios "artificiais" passam a
fazer parte de nossa história submersa.
São
eles: o Lupus, o Minuano e o Servemar X. (Para um
pequeno histórico e fotos clique aqui).
Naufrágios
que foram idealizados e realizados por uma escola de mergulho de Recife, a
Projeto Mar, que por iniciativa de seu proprietário, Joel Calado,
servirão para atrair mais mergulhadores à cidade que desponta mais uma
vez como a capital dos naufrágios do Brasil
Reproduzo
abaixo notícias publicadas em jornais que contam um pouco sobre o projeto
e sua execução.
Diário de
Pernambuco - 19/01/2002
Naufrágio artificial dura doze horas
Operação feita pela Escola de Mergulho Projeto Mar coloca
Pernambuco na
rota do turismo subaquático
Rose Maria - Da equipe do DIÁRIO
O primeiro naufrágio artificial em Pernambuco de três navios-reboques
realizado ontem, numa distância de 21,7 km do litoral do Recife, deve
manter o Estado na rota mais cobiçada do turismo subaquático do Brasil.
O ecossistema também ganhará novos arrecifes para a reprodução da
fauna marinha. Foram com esses argumentos que a Escola de Mergulho Projeto
Mar conseguiu que o afundamento de 350 toneladas de aço dos rebocadores,
tivesse a autorização de técnicos das Universidades Federal e Rural de
Pernambuco,
Companhia Pernambucana de Recursos Hídricos (CPRH), Marinha do Brasil e
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).
A operação do naufrágio durou 12 horas. As equipes, com oito
mergulhadores, do Projeto Mar, além de mais seis homens do Grupamento de
Bombeiros Marítimos saíram do Porto do Recife, por volta das 6h45. A
empresa Wilson Sons, que vendeu as carcaças dos reboques à escola por R$
13 mil, também foi responsável pelo transporte dos rebocadores Servemar-X,
com 18 metros de comprimento; o Minuano com25 metros e o Lupus, com 34
metros. Cada um com meio século de uso.
Mesmo debaixo de chuva, o coordenador do
projeto, Joel Calado não desistiu de cumprir todas as etapas do naufrágio.
"Cada rebocador ficará num ponto estratégico", avisou Joel
Calado, que é especialista em turismo subaquático e dono do Projeto Mar.
Depois de quatro horas de viagem, o primeiro a ser afundado foi o
Servemar-X. Ele passou uma hora para submergir a uma profundidade de 25
metros. O navio-reboque ficou a uma distância de 7,5 milhas da costa, o
que significa em linha reta a 13,5 km da praia de Boa Viagem. Cerca de 45
minutos depois, foi a vez do Minuano, que afundou de popa a 31 metros de
profundidade, numa distância de 10 milhas (18 km da costa).
O último rebocador surpreendeu a equipe pela resistência aos mecanismos
artificiais usado para afundá-lo. Além de abrir as válvulas de água do
Lupus, os operários da Wilson Sons também jogaram sobre o navio duas
mangueiras abertas, usadas em caso de incêndio nas embarcações. O naufrágio
do Lupus só aconteceu duas horas e meia depois, por causa das batidas
frontais, feita pelo próprio rebocador que o transportou. O Lupus afundou
às 15h e ficou a 35 metros de profundidade, numa 11,7 milhas (cerca de 21
km da costa).
Limpeza
O naufrágio artificial foi
ecologicamente correto. Segundo Joel Calado, as entidades ambientais
fizeram várias exigências. Entre elas a limpeza de resíduos nocivos ao
ecossistema: chumbo, zinco, graxas,
equipamentos de bordo e principalmente a retirada de todo óleo diesel.
"Tiramos tudo e não usamos nenhum tipo de explosivos para acelerar o
afundamento", destacou.
O Ibama enviou um técnico para observar o cumprimento das exigências.
"A operação foi coberta de êxito", comemorou o coordenador
substituto do Núcleo de Licenciamento Ambiental, Walter Fantini. "O
projeto passou por vários pareceres e foi executado dentro dos parâmetros
previstos", atestou o técnico.
Estado lidera ranking nacional
De acordo com a Revista Náutica, na sua
edição especial de 1999, Recife é considerada a "Capital dos Naufrágios".
Já Pernambuco lidera o ranking brasileiro de turismo subaquático, por
exibir em seu litoral cerca de 66 embarcações naufragadas desde o século
passado. Pelo menos 20 delas são exploradas de forma turística. Das
quais, seis têm visitas freqüentes pelas operadoras de mergulho, responsáveis
por excursões aos navios Areeiro, Chata de Noronha, Pirapama, Vapor de
Baixo e Vapor de Cima.
De acordo com a avaliação do Projeto Mar, que realizou ontem o naufrágio
artificial dos três rebocadores do Porto do Recife, o litoral
pernambucano tem duas características importantes nesse tipo de turismo:
águas quentes e claras, que permitem mergulhos sob uma visibilidade de até
40 metros de profundidade. "Nosso litoral também apresenta uma fauna
marinha que coloniza os destroços dessas embarcações, num período de
três a quatro meses", assegura o Capitão do Grupamento de Bombeiros
Marítimos, André Ferraz, que há dois anos é instrutor de mergulho da
escola Projeto Mar. A escola se mantém com recursos próprios há 16
anos, e já tem no seu currículo 100 mergulhadores profissionais e 70
estudantes.
No caso do afundamento dos Servemar-X, Minuano e Lupus, os mergulhadores
tiveram uma missão que consideraram histórica. Através de equipamentos
especiais de fotografia e filmagem, eles mapeamearam as áreas onde estão
agora encalhados os rebocadores. O objetivo é apresentá-los como os mais
novos pontos de arrecifes, com a vantagem de estarem localizados próximos
à praia de Boa Viagem, um dos pontos turístico mais movimentados do
Recife.
Ao contrário dos naufrágios acidentais, a maioria provocados por guerras
entre esquadrias no período colonial do Brasil, os navios-reboques
afundaram em área estrategicamente escolhidas. Nesses locais, os turistas
encontrarão um ecossistema rico em fauna marítima e predominantemente de
calcário, que variam de 20 a 38 metros de profundidade. "sem risco
de interferência nas correntes marítimas dirigidas pelos ventos",
assinala o projeto, elaborado pela professora PHD em Ciências Biológicas
da UFPE, Kênia Valença Correia. Com a preocupação de não provocar
ambientalistas, o Projeto Mar vai acompanhar toda a evolução dos novos
arrecifes artificiais, que chegaram ao litoral do Recife sem colocarem em
risco vidas de tripulantes e nem tão pouco a fauna e flora marítimas.
Folha
de Pernambuco - 19/01/2002
Três navios foram para o fundo do mar
A ação é para atrair turistas do mergulho
Luciana Teixeira - Especial para Folha
Mais três navios podem ser encontrados no fundo do mar da Costa
pernambucana. Ontem, os reboques Servermar-x com 18 metros de comprimento,
Minoano com 25 metros e Lupus com 34 metros, que estavam ancorados no
Porto do Recife, foram naufragados, propositadamente, para atrair os
turistas do mergulho e servir de estudos biológicos. A ação faz parte
do Projeto Mar que pretende fortalecer o título recifense de Capital dos
Naufrágios.
A operação, que durou cerca de 12
horas, foi realizada sem explosivos. Apenas foram abertas válvulas para
que a própria água afundasse os navios. A Capitania dos Portos, o Corpo
de Bombeiros, o Ibama e mergulhadores profissionais acompanharam todo o
processo. Os três reboques naufragados saíram do Armazém 15, no Bairro
do Recife, por volta das 6h30, puxados pelo reboque Taurus. Depois de
percorrer 13,5 quilômetros da Costa, durante quatro horas e trinta
minutos, o primeiro navio, Servermar-x, começou a
pender para um dos lados e afundou até 25 metros de profundidade.
Quarenta minutos depois, foi a vez do
Minoamo ter o seu casco invadido pelas águas, a 18km da Costa, e
naufragar chegando a atingir 31m de profundidade. O último naufrágio foi
o mais complicado devido ao tamanho do navio. Após duas horas e trina
minutos tentando colocar o Lupus no fundo do mar, a embarcação também
pendeu, com a ajuda do Taurus, para um dos lados e afundou até 35m.
Os mergulhadores que estavam no local, depois de cada um dos naufrágios,
verificaram a posição das embarcações no mar. Segundo eles, todos os
navios estavam em pé, do jeito que ficam normalmente. Daqui a 15 dias,
será realizado o primeiro mergulho.
Cidade quer ser a Capital do Naufrágio
Os três reboques estavam a venda como
ferro-velho, quando o proprietário da empresa de mergulho Projeto Mar,
Joel Calado, idealizou o projeto. "Era uma forma de incrementar e
reforçar o turismo de mergulho no
Estado, já que somos a capital dos naufrágios, com 25 embarcações
afundadas no nosso mar", afirma.
Desde de janeiro, o projeto foi encaminhado a Capitania dos Portos para
ser aprovado. Durante um ano, vários órgãos relacionados a Marinha e ao
Meio Ambiente analisaram a proposta. "O projeto é o único no Brasil
totalmente legalizado", assegura Joel. As embarcações pertenciam a
empresa de reboque carioca, Wilson Son's e custaram R$ 13 mil.
O Instituto Brasileiro
de Meio Ambiente (Ibama), junto com a Universidade Federal de Pernambuco,
verificou o que seria necessário para que os naufrágios não afetassem o
meio ambiente. "Hoje, os navios não
oferecem nenhum risco ambiental. Foram retirados todos os materiais que
pudessem fazer alguma alteração na natureza", ressalta o engenheiro
químico do Ibama, Walter Fantini.
Marcello
De Ferrari.
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