O Galeão Sacramento

O galeão Santíssimo Sacramento, havia saído do Tejo como capitânia da escolta de uma frota de 50 embarcações mercantes da Companhia Geral do Comércio do Brasil e que trazia João Corrêa da Silva, para ser empossado no governo da Bahia, conduzindo também estanho e cobre para o estaleiro do Salvador, foi naufragar, durante uma tempestade, no dia 5 de maio de 1668.

Tendo o galeão chegado próximo a Salvador, e na presença de fortes ventos vindos do Sul, o mesmo não pode entrar na Bahia pela rota normal e acabou se chocando com o banco de Santo Antônio, permanecendo ainda por alguma horas à deriva e por fim naufragando durante a noite (aproximadamente às 23:00 horas).

O governador em exercício, Alexandre de Sousa Freire, enviou assim que informado do acidente quantas embarcações rápidas e pessoas hábeis de navegação que se encontravam na Ribeira, mas por ser, para a época, grande a distância a ser percorrida, somente chegaram ao local com romper do dia.

"Acharam feita em pedaços a nau, e grande número de corpos, uns ainda vivos, vagando pelos mares, outros jazendo já mortos nas areias..., e só salvaram as vidas algumas pessoas, às quais pôs em salvo a sua fortuna e a diligência dos pescadores daquelas praias..., e algumas poucas que sobre as tábuas piedosamente despedaçadas no seu remédio se puseram em terra." (ROCHA PITA, Sebastião, História da América Portuguesa - Lisboa, 1730).

Existem divergências quanto ao número de pessoas que estavam embarcadas no Sacramento, alguns citam 800, outros 400. Sabe-se que salvaram-se apenas cerca de 70 pessoas.

Após 3 séculos submerso é que seu casco foi localizado, na posição 13º 02’ 18" S e 30º 30’ 14" W, por pescadores que buscavam o motivo pelo qual suas redes ficavam presas no fundo. O que restava do Sacramento repousava à 15 metros de profundidade, próximo a um declive acentuado. O casco posteriormente deslizou por este declive vindo a ficar numa profundidade que varia dos 25 a 30 metros.

Mergulhos para a recuperação de artefatos se sucederam em grande número, de forma ilegal e descontrolada, tanto que em setembro de 1976 a polícia do Recife apreendeu 6 canhões de bronze que iriam ser transportados para São Paulo.

Diante desta indiscriminada depredação, organizou-se, por parte do Ministério da Marinha, uma exploração detalhada e sistemática, tendo como embarcação de apoio o Navio de Salvamento Submarino Gastão Moutinho. Estes primeiros trabalhos foram realizados com a orientação do arqueólogo Ulisses Pernambucano de Mello Neto e ocorreram no período de 1976 à 1978. Posteriormente foram realizados novos trabalhos no período de 1982/83.

De ambos trabalhos resultou um grande número de informações e extensa lista de objetos recuperados, dentre os quais podemos citar:

- 34 canhões de bronze e 8 de ferro fundido ( os datados variando de 1590 à 1653 );
- 02 astrolábios de bronze (um deles datado de 1624 e assinado "Góis");
- compassos de cartear em bronze;
- grande e variado sortimento de cerâmicas (faianças), incluindo aparelhos inteiros (como o do General Francisco Corrêa da Silva);
- centenas de ânforas (bilhas) de barro;
- imagens sacras em terracota e chumbo;
- moedas de prata (portuguesas e espanholas);
- medalhas;
- dedais de latão;
- bacias e grandes tachos de cobre.

Muito se conseguiu aprender com as informações e com os objetos retirados de forma metódica e científica e muito se perdeu com as muitas peças que foram retiradas ilegalmente e vendidas, sem que se pudesse saber seu destino. Sabemos que esta retirada ilegal ainda ocorre em toda a nossa costa e de que medidas legais sejam tomadas contra os infratores.

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Para saber mais:

- ROCHA PITTA, Sebastião da - História da América Portuguesa - Livro 6º parágrafos 55 à 63.
- MELLO NETO, Ulisses P. de - O galeão Sacramento - in Navigator n. 13 - R.J., 1978.
- GUILMARTIN JR., John F. - Os canhões do Santíssimo Sacramento - in Navigator n. 17 - RJ - 1981.
- CASTRO CUNHA, Luiz F. - De volta ao passado ... - in Rev. Marítima Brasileira vol. 110 - RJ - abr/jun 1990.

Marcello De Ferrari.

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