Santa Cruz

Tendo zarpado de Vitória às 07:30 do dia 14 de Setembro de 1905 e chegado à foz do Rio Doce às 13:45 o vapor nacional Santa Cruz, de propriedade da firma Adelino Pinto & Cia., encalha num banco de areia, sob intenso temporal.

Transportava um carregamento de materiais para a Estrada de Ferro Diamantina além de conduzir 08 passageiros e 15 tripulantes.

O mar revolto castigava a embarcação que rapidamente fazia água. A casa de máquinas ficou alagada e as fornalhas se apagaram, impossibilitando o desencalhe. O mar estava tão agitado que em menos de meia hora, todas as obras do convés, camarotes, cozinha, etc. haviam sido destruídos pelo mar, deixando como abrigo às pessoas a bordo, apenas a cabine de comando.

Quando foi verificada a impossibilidade da salvação da embarcação, tentou-se a utilização de uma pequena baleeira para o salvamento mas, devido a força das águas, a tentativa foi infrutífera pois a pequena embarcação era levada pela correnteza e os cabos que a seguravam se partiam. Um marinheiro que nela ficou conseguiu, depois de quase duas horas atingir a praia e informar do desastre.

Dois outros tripulantes, o segundo maquinista Claudomiro José dos Santos e o foguista Getúlio Lopes Barbosa , vendo a baleeira se distanciar e não sabendo para onde esta era levada pela impetuosidade do mar, valentemente se lançam às águas e nadam em direção da costa para pedir socorro. Tendo nadado por mais de três horas atingem seu intento.

Enquanto isso, o foguista Angelo Custódio de Vasconcelos e o taifeiro Armindo Ferreira da Conceição, também se atiram ao mar tentando buscar ajuda, mas estes perecem durante a tentativa.

A noite caia e as esperanças dos que estavam a bordo cada vez mais se esvaneciam pois a tempestade não amainava e as ondas constantemente invadiam a embarcação e o frio, a sêde e a fome aumentavam ainda mais o desespero dos náufragos.

Os tripulantes que atingiram a praia, informando a situação, conseguiram que fosse enviado socorro ao local do naufrágio: um escaler a remos chamado Odilon, de propriedade do Major Dioclécio Costa que, conduzido por cinco pessoas, atingiu o Santa Cruz logo ao amanhecer, elevando assim as esperanças dos que já a mais de dezesseis horas aguardavam o socorro.

Em três viagens todos os 18 náufragos atingiram a terra e, antes do final da tarde, embarcação naufragava totalmente.

Marcello De Ferrari.

 

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