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CHARUTOS, MERGULHOS E ....... TESOUROS Cuba,
com o colapso da Rússia na década passada, e isolada do hemisfério
Ocidental como a última das nações comunistas, partiu para buscar
novas formas de conseguir divisas. O turismo foi uma delas, no qual o
turismo de mergulho toma parte importante. O próprio Fidel Castro era
um ativo praticante do mergulho livre, navios foram naufragados para se
tornarem novos locais de mergulho e operadoras surgiram em todas as
partes da ilha. Mas
a ilha possui em suas águas muito mais riquezas do que belos visuais e
uma rica biodiversidade. Nela
existem mais de 2.000 naufrágios, muitos deles dos séculos XVI e XVII
e que, em seus restos poderão ser resgatados, além de tesouros em ouro
e prata, objetos de grande valor arqueológico, que incluem equipamentos
militares, porcelanas e trabalhos da cultura meso-americana. Esta grande
concentração de naufrágios antigos se deve à importância que Havana
tinha na época colonial espanhola. Em seu porto, segundo registros
desse período, passaram cerca de 13.000 embarcações, muitas delas
pertencentes às Frotas do Ouro. AS
FLOTAS DO OURO Após
o descobrimento da América em 1492, os “conquistadores” começaram
a transportar fortunas incalculáveis saqueadas dos astecas, maias e
incas, tornando a Espanha a mais poderosa nação européia da época. Com
o fim desta fonte de pilhagens, iniciaram a escravização dos indígenas:
os índios caraíbas, dos quais deriva o nome de Caribe, foram postos a
minerar ouro, prata, pedras preciosas e semipreciosas, a cultivar e também
a mergulhar em busca de ostras perlíferas. O
volume de riquezas que chegava a Espanha era fantástico, apenas a mina
de Varaguas produzia 2 toneladas de ouro por ano. Para que se tenha uma
idéia, entre os anos de 1503 e 1560, Sevilha recebeu 101 toneladas de
ouro e 500 toneladas de prata. Tornou-se
necessário um maior controle e novas leis foram promulgadas: do que
retornasse ao reino, dois terços pertenciam à Coroa espanhola. Com os
impostos e com as mercadorias trazidas da América, foi possível a
Coroa espanhola não só defender suas possessões, bem como expandir
seu império até o Pacífico Sul. Não
é necessário dizer que grande parte das riquezas era contrabandeada,
para fugir à pesada tarifa imposta pelo Rei. Para
tentar minimizar o contrabando, foi criada em 1503 a Casa de
Contratacion, órgão que controlaria todos os aspectos do comércio
com as colônias. Um escrivão acompanharia cada embarcação, mantendo
um registro oficial (o manifesto) do que era embarcado e
desembarcado. Com base neste manifesto eram cobradas as taxas do quinto
e da averia, esta última uma taxa de 40% para financiar a
construção e o aprovisionamento de embarcações que defenderiam as
embarcações de comércio em seu retorno para a Espanha. Com
o aumento do volume de embarcações que partiam para a Europa
transportando riquezas, também aumentou o número de ataques por
piratas, principalmente ingleses, e por navios de outras nações. Em
1526, uma lei passa a exigir que as embarcações mercantes espanholas,
além de estarem armadas, navegassem em comboios, comboios estes que se
tornaram famosos com o nome de Flotas. Eram protegidas por galeões
fortemente armados que, mesmo sendo mais lentos do que as tradicionais
embarcações piratas, impunham respeito pelo seu forte poder de fogo. As
frotas normalmente eram acompanhadas, além de embarcações de escolta
menores, por dois galeões, o Capitana que
liderava a frota e o Almiranta que
guardava sua ré. Além de dar segurança ao comboio, estas duas embarcações
transportavam os valores pertencentes à Coroa espanhola. Cada
ano, duas frotas partiam para a América: a
Frota da Nova Espanha,
com destino ao México (chamado na época de Nova Espanha), as grandes
Antilhas e Honduras. Seu principal objetivo era o de coletar o tesouro
das minas mexicanas, que havia passado pela Casa da Moeda da Cidade do México.
Seu destino era a cidade de Vera Cruz. Além do ouro e da prata, também
levaria para a Europa um rico carregamento de porcelanas, jade, marfim,
especiarias e seda que chegava anualmente de Alcapulco, na costa do Pacífico
mexicano. Estas mercadorias vinham das Filipinas transportadas pela
chamada
Frota de Manila. A
Frota de Terra Firme vinha com destino a Portobello e Cartagena,
onde seriam carregadas com as riquezas da América do Sul, que incluíam
a prata das minas peruanas
de Potosi , além de pérolas, esmeraldas, ametistas, lã de vicunha,
couros, cacau e canela. Em
seu retorno para a Espanha, as duas frotas eram reunidas em Havana, onde
recebiam um carregamento de cobre retirado das minas do Rei, faziam seus
últimos reparos, abasteciam-se para a viagem e aguardavam as melhores
condições climáticas para seu regresso. Para ver um mapa com a rota das Flotas (157 K), clique AQUI Muitas
destas embarcações se perderam, seja no caminho de Havana, seja quando
já rumavam para a Europa. Naufragaram em tempestades, batendo nos
baixios e atacadas por piratas, levando consigo para o fundo toda a sua
carga. NOS DIAS DE HOJEOs
tesouros destas embarcações naufragadas, que devem chegar a alguns
bilhões de dólares, podem estar prestes a ser localizados e
resgatados. O
governo cubano está assinando diversos contratos de risco,
especialmente com companhias canadenses de resgate de tesouros, para a
ira de grupos americanos. Um
dos grupos que mais resultados tem anunciado é o VISA GOLD EXPLORATIONS
INC., que nada tem a ver com o cartão de crédito, uma joint venture
com a empresa estatal cubana GEOMAR S.A. Esta última já havia
localizado diversos naufrágios antigos mas, por falta de recursos,econômicos
e logísticos, não havia conseguido resultados significativos. A
VISA GOLD recebeu uma concessão de cinco anos para explorar duas áreas,
uma a noroeste do porto de Havana e outra ao sul de Cuba, a Ilha da
Juventude Nestas áreas, segundo pesquisa documental, existem cerca de
600 naufrágios de interesse. O contrato prevê à companhia canadense
um retorno de 50% do que for resgatado, em troca da transferência de
tecnologia e treinamento de pessoal. Um
de seus primeiros achados foi acidental. Durante os testes de um side
scan sonar e de um novo mini submarino, localizaram e filmaram o naufrágio
do USS Maine, navio de guerra americano que naufragou na baia de Havana,
após uma grande explosão em Fevereiro de 1898, detonando o início da
guerra hispano-americana. Na época, seus restos foram reflutuados e
posteriormente naufragados com todas as honras militares a quatro milhas
da costa numa profundidade de cerca 1.200 metros. Logo
depois, iniciou o resgate de objetos do naufrágio do bergantin espanhol
Palemón. O
Palemón Esta
pequena embarcação de carga, com suas 164 toneladas, foi construída
em Arenas del Mar, na Catalunha, Espanha. Seu nome original era Matilde
e seu proprietário era o comerciante português Francisco Cardoso de
Mello e em 1838, quando aportado em Havana, foi vendida para o
comerciante espanhol Ricardo Volloido, proprietário da empresa de comércio
marítimo Volloido y Wardrop. No
dia 11 de março de 1939, deixou a França com destino a Cuba. Era
comandada pelo capitão José Antonio de Ageo e tinha 10 tripulantes.
Sua viagem durou um mês e meio até chegar em águas cubanas. No dia 25
de abril, encalha nos recifes ao norte da província de Villa Clara. O
encalhe ocorreu devido a forte correnteza e a baixa maré. O fundo da
embarcação rompeu-se e rapidamente naufragou. Os tripulantes foram
salvos e levados para a baia de Matanzas. As tentativas de resgate na época
foram infrutíferas devido a fortes temporais que ocorreram depois do
naufrágio. A
equipe do VISA GOLD, após localizar o naufrágio, nele realizou uma
expedição de resgate com a duração de 22 dias. Como resultado, foram
resgatados entre outras coisas: 36 diamantes, um broche incrustado com
27 diamantes, diversas jóias (brincos, correntes de ouro e camafeus),
esmeraldas, rubis, objetos em marfim garrafas de perfume francês, balas de mosquete e de
canhões e objetos em marfim. Para ver alguns dos objetos resgatados, clique AQUI As
peças resgatadas estão em fase de conservação e catalogação sendo
aguardada, para o segundo semestre deste ano, a publicação dos
resultados finais. O
FUTURO
O
próximo alvo da empresa canadense foi anunciado dia 29 de Março deste
ano: o navio espanhol Nuestra Señora de Atocha y San José.
Pertencente a uma das frotas, naufragou ao largo da entrada da baia de
Havana em 1642, devido a uma tempestade. Segundo pesquisa histórica,
esta embarcação cargueira de 400 toneladas partira para a Europa,
carregada de tesouros, juntamente com o resto da frota mas, como fizesse
muita água, tentou retornar para realizar reparos em seu casco... só
que nunca chegou a seu destino. Ainda segundo estas pesquisa, seus restos
devem estar em águas profundas e, para este caso a VISA GOLD contará
com o auxílio de um submarino cedido pela Ocean Technologies Ltd. As
possibilidades em Cuba são enormes, deixo aqui uma pequena lista de
embarcações do século XVI que estão na mira dos caçadores de
tesouro: 1509
– navio de Bernaldino de Talavera 1510
– um dos navios da esquadra de Francisco Pizzaro 1510
– navio de Rodrigo de Colmenares 1510
– navio de Sabastian de Ocampo 1514
– San Antón 1514
– Santa Maria de la Merced 1518
– Jesús Nazareno y Nuestra Señora de Guadalupe 1525
– navio de Juan de Avalos 1537
– Santa Catalina 1555
– Santa María de Villacelan 1556
– La Magdalena e La Concepción 1563
– Seis navios da Frota da Nova Espanha: San Juan Bautista (a
nau Capitana), San Juan, San Salvador, Nuestra Señora
de la Consolación, Santa Margarita e Nuestra Señora de
la Concepción. 1593
– Santa María de San Vicente e Nuestra Señora del Rosario 1595
– San Gabriel Marcello De Ferrari. |