Tocantins


Ilha da Queimada Grande  - Foto por Gustavo Lourenção

Logo depois da meia noite do dia 30 de Agosto de 1933 a estação de rádio da agência do Lloyd Brasileiro em Santos recebia o seguinte radiograma:
" Naveloyd - Santos - Tocantins bateu encalhado Queimada Grande uma hora cerração fechada porões um e dois fazendo água - Tocantins. "

Assim soube-se do que estava acontecendo ao navio de carga, construído em 1901, pela J.Blummer & Co., com um comprimento de 116 metros e um deslocamento de 4.113 toneladas.

O Tocantins que procedia do Rio Grande, em sua derrota habitual da linha norte, até Manaus, havia deixado o porto de Paranaguá, com destino a Santos, onde deixaria parte de sua carga de alimentos e madeira.

Devido a uma espessa cerração, que se abatera sobre a costa paulista, não pode ver as luzes do farol automático instalado no alto da ilha, que, por sua posição à 90 metros de altura, deveria ser visto até a uma distância de aproximadamente 20 milhas.

Assim que chegou a noticia e a agencia do Lloyd do Rio de Janeiro foi informada, foram enviados em seu auxílio o rebocador São Paulo, que partiu de Santos e o rebocador de alto mar Commandante Dorat que partiu da Guanabara, além do cargueiro Pará que mudou sua rota atendendo o apelo de S.O.S.

O encalhe deu-se com a proa na ponta Norte da ilha com condições de mar calmo e foram claras as expectativas iniciais de salvar a embarcação pois seu comandante, o capitão de longo curso A. Catramby, expediu mais quatro radiogramas e nos tres primeiros demonstra este intento quando diz:
"...desnecessário auxílio Pará sendo indispensável auxilio rebocador Dorat..." e quando pede "... dois mil tijolos, cincoenta barricas cimento, cem barricas areia, três carpinteiros, três pedreiros, dez quilos pregos três polegadas, duzentos quilos carne fresca...".

Pouco tempo depois, as condições climáticas mudaram, caiu um forte temporal do quadrante sudoeste fazendo com que as condições de mar mudassem drasticamente e, com isso o Tocantins moveu-se de onde estava e começou a afundar. Inicialmente eram 3 metros de água que invadiram os porões e com a mudança de posição tornou-se obrigatório o abandono dos postos na casa de máquinas e porões. Em seu último radiograma o comandante Catramby afirma: "...julgo-o perdido... aguardo auxílio Pará...". Pelas 5 horas da manhã do dia 31, a estação de rádio da Ponta da Praia recebia a mensagem, vinda do vapor Pará, de que a "estação Tocantins deixou de falar".

A tripulação foi resgatada e levada ao Rio de Janeiro pelo rebocador Commandante Dorat e o casco foi abandonado. O naufrágio não deixou vítimas, apenas perda da embarcação e carga, mas criou um dos pontos de mergulho mais freqüentados do litoral sul de São Paulo.

Atualmente grande parte da estrutura do Tocantins já desapareceu, sua profundidade varia dos 8 aos 23/24 metros e podem ser ainda vistas as caldeiras (que forneciam 350 n.h.p.), o eixo, muitas vigas, chaparias , tubulações e uma de suas âncoras. Estas estruturas restantes já foram incorporadas ao fundo e se tornaram habitat de variada fauna o que torna ainda mais interessantes nossos mergulhos.

Marcello De Ferrari.

 

Copyright 1997-2009 Marcello De Ferrari. All Rights Reserved. Todos os direitos reservados.